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24 fev

O Carnaval Carioca antes do samba.

História do Brasil Por: Jason Jr. Comentários

Este texto é uma releitura, com algumas adaptações do texto originalmente intitulado de "As primeiras celebrações carnavalescas no Brasil", retirado das pesquisas do Trabalho de Conclusão de Curso da historiadora Ana Clara Rocha. Publicado no antigo site do História Estúdio em 2013.

 

O carnaval passou por várias modificações sociais durante os anos. A primeira manifestação carnavalesca no Brasil foi o Entrudo, trazido por colonos portugueses, onde faziam-se brincadeiras de rua que tinham como características jogar farinhas e banhos de água nas pessoas que ali passavam.


No fim do século XIX os Entrudos começam a ser perseguidos pela policia, devido as suas características violentas. Já no inicio do século XX o prefeito Pereira Passos começa o processo de modernização do Rio de Janeiro, demolindo os cortiços no centro da cidade para ampliar as ruas, segundo os moldes europeus.


Porém, a população pobre que vivia nos cortiços, sem recursos para morarem no centro da cidade começam a ocupar os morros da capital.


Os códigos de conduta impostos pelo prefeito, proibiam praticas consideradas bárbaras aos olhos da elite. Assim, ficando proibidas as praticas do entrudo, samba, capoeira e candomblé (em locais públicos) - vale repararmos que apenas o entrudo é de matriz européia, sendo o restante de origens africanas e praticadas geralmente pelas camadas mais desfavoráveis da sociedade carioca.


Em algum tempo, surgiram os bailes do Grande Carnaval, que teve forte influencia dos bailes de mascaras europeus e acontecia nos teatros e salões da elite carioca. Após alguns anos, surgiram as primeiras sociedades carnavalescas. A primeira delas foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, que promovia desfiles nas ruas utilizando músicas européias com temas literários ou sátiras ao governo. Também introduziram o cortejo de carros alegóricos e substituíram os violentos embates do entrudo pelas batalhas de confetes, serpentinas e lança perfumes (posteriormente proibido).

 

O lança-perfume apareceu no carnaval carioca em 1904, sendo rapidamente incorporada aos festejos carnavalescos de todo o Brasil, principalmente nas batalhas de confete, corsos e nos bailes. O produto tornou-se símbolo do Carnaval até 1961, quando o Presidente Jânio Quadros decretou a proibição do produto no Brasil, após alguns casos de morte por embriaguez e acidentes fatais.

 

O chamado Grande Carnaval excluiu os grupos mais pobres da cidade, entretanto eles criaram os cordões e os ranchos.


Os cordões eram manifestações carnavalescas criadas por afro-descendentes que tinham características dos ritos religiosos de seu continente de origem. Já os ranchos, tinham origens nordestinas e celebravam os festejos natalinos e introduziram instrumentos de percussão e musicas próprias.


No inicio do século XX a maioria da população das camadas populares que viviam nos morros cariocas eram ex-escravos, que haviam chegado a cidade no período do ciclo do café, vindos do nordeste brasileiro. Com isto, os ranchos chamaram a atenção da cidade e deixaram de lado boa parte da cultura africana para serem aceitos mais facilmente pela elite carioca.


Cristina Tramante chama esse processo de reterritorialização quando os ranchos deixam as características afro e ampliam seu espaço sócio-geográfico. Os ranchos ganharam características novas, com uniformes, mestre-sala e porta-bandeira. Tocavam marchas de ritmo sincopado e melodia suave.


Com o desenvolvimento deste "novo carnaval", fica claro que a influencia da cultura afro-brasileira foi fundamentalmente importante para a formação do carnaval de rua carioca.


Somente nos anos de 1930, um grupo de músicos, liderados por Ismael Silva, fundou a primeira escola de samba no bairro Estácio de Sá. De acordo com o sambista Wilson das Neves, o presidente Getulio Vargas autorizou a criação das escolas de samba e agremiações com duas condições, manter a ordem dos desfiles e deveriam contar a história do Brasil.


O samba das escolas eram sambas de terreiro, sambistas como Cartola, Noel Rosa e Pixinguinha compunham para os desfiles da praça XI. Mas com o surgimento do samba enredo ( a partir das exigências do Presidente Vargas) as escolas abandonaram o samba de terreiro nos seus desfiles.

 

O samba na Realidade, não vem do morro, nem da cidade. Quem suportar uma paixão, saberá que o samba então, bate no coração - Noel Rosa

 

 

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