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11 mai

Cientistas usam cinzas do incêndio para reconstruir acervo do Museu Nacional

Arqueologia Por: Jason Jr. Comentários

A maior coleção egípcia da América Latina ficava em exposição no Museu Nacional, composta por 700 peças. Mas devido ao incêndio no dia 2 de setembro do ano passado, poucos artefatos foram encontrados e recuperados dos escombros do Palácio de São Cristovão.

A gente tem muita pena de botar no lixo aquilo que fazia parte da estrutura do prédio, as madeiras, as paredes, as pedras. Isso, por um lado, tem um impacto emocional muito grande, estar trabalhando com o que sobrou da estrutura do museu, das madeiras, dos telhados - Sérgio Azevedo, paleontólogo do Museu Nacional

Alguns materiais do incêndio que poderiam virar apenas lixo, por serem pedaços de madeira, parede, telhado e afins que foram queimados e desgastados durante o triste evento, serão reaproveitados pelos pesquisadores do Museu Nacional.

Eles estudaram maneiras de reaproveitar as cinzas e fragmentos destes materiais, desenvolvendo um pó de carvão que deverá ser misturado a uma resina e será transformada em insumos para impressoras 3D.

 

Criando as cinzas

Algumas peças já haviam sido digitalizadas, facilitando a reconstrução em softwares de design em três dimensões e na criação das réplicas e miniaturas em um equipamento de impressão 3D. Como é o caso do sarcófago da Múmia Sha-Amun-en-su e de um crânio baseado em um fóssil de crocodilo com cerca de 70 milhões de anos.

Impressora 3D

O sarcófago era um item muito especial para o acervo do Museu Nacional, pois foi um presente dado ao Imperador D. Pedro II quando ele viajou ao Egito com a Imperatriz Tereza Cristina, em 1872, sendo um dos poucos itens do tipo no mundo que ainda não havia sido aberto.

Ele, que estava lacrado dentro de um caixão por 2.700 anos, vindo à tona pela primeira vez, foi uma sensação bem emocionante. A gente está fazendo com que essas pesquisas ressurjam das cinzas - Pedro Luiz Von Seehausen, arqueólogo do Museu Nacional.

 

Miniatura Cinzas

Com esta pesquisa e a impressão das peças, os cientistas pretendem reproduzir réplicas e miniaturas que reproduzam a textura e as cores semelhantes às peças originais, a partir da memória deixada pelo Incendio nas cinzas usadas como matéria prima do material 3D. Sendo assim, o Museu Nacional passa a ser o primeiro museu no mundo a utilizar esta técnica.

É o primeiro museu que faz isso no mundo. Uma coisa muito impactante, muito emocionante reproduzir uma peça utilizando material que é resultado do próprio incêndio. Quanto mais a gente fizer, melhor vai ser o resultado - Jorge Lopes, pesquisador da PUC-Rio

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