Jovens das classes D e E são os mais impactados pelo vício em apostas, com 58% vindo de famílias com renda abaixo de 2 salários mínimos. O problema leva muitos a abandonar os estudos, especialmente no Nordeste e Norte do Brasil, onde a falta de informação e oportunidades agrava a situação.
Uma pesquisa recente revelou que apostas online estão fazendo jovens brasileiros adiarem seus sonhos de graduação. Será que o jogo está valendo a pena?
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ToggleImpacto das apostas online no ensino superior
Um estudo recente mostrou que apostas online estão afetando diretamente o acesso dos jovens ao ensino superior. Muitos adiam a faculdade para gastar dinheiro em jogos de azar, criando um ciclo difícil de quebrar.
Segundo a pesquisa, 34% dos entrevistados entre 18 e 24 anos já deixaram de se matricular na universidade por causa desses gastos. O problema é ainda maior entre quem tem menos condições financeiras.
Especialistas alertam que o vício em apostas pode destruir planos de futuro. ‘Muitos jovens perdem não só dinheiro, mas também tempo que deveria ser investido nos estudos’, explica uma psicóloga entrevistada.
Além do prejuízo financeiro, há casos de depressão e ansiedade ligados às dívidas acumuladas. Algumas universidades já começaram a oferecer apoio psicológico específico para esse problema.
Classes D e E são as mais afetadas
Os dados revelam que jovens das classes D e E são os que mais sofrem com o vício em apostas. Sem condições de repor o dinheiro perdido, muitos acabam desistindo da faculdade.
Na pesquisa, 58% dos afetados vieram de famílias com renda abaixo de 2 salários mínimos. ‘É um problema social grave’, afirma o coordenador do estudo.
Muitos começam a apostar achando que vão melhorar de vida, mas o resultado é oposto. Dívidas se acumulam e os estudos ficam em segundo plano.
Com menos acesso a informação sobre os riscos, essas classes acabam mais vulneráveis. Campanhas de conscientização são urgentes nessas comunidades.
Regiões com maior índice de adiamento
O Nordeste e o Norte do Brasil lideram os números de jovens que adiam a faculdade por causa de apostas online. Nessas regiões, o problema atinge 42% dos entrevistados na pesquisa.
No Maranhão e no Piauí, os índices são ainda mais alarmantes. Muitos estudantes relatam que começaram a apostar por influência de amigos ou propagandas na internet.
Nas capitais, o problema aparece com menos força. Mas no interior, onde há menos opções de lazer, os jogos online viram uma tentação perigosa.
Especialistas sugerem que o governo crie políticas específicas para essas regiões. A falta de informação sobre os riscos piora a situação.
Perfil dos apostadores e riscos financeiros
O perfil típico do apostador que adia os estudos é homem, entre 18 e 24 anos, que começou por influência digital. Redes sociais e anúncios online são os grandes gatilhos.
Muitos acreditam no ‘golpe da sorte’ – a ideia de que vão ganhar muito dinheiro rápido. Mas 78% acabam perdendo mais do que podem pagar.
Os riscos financeiros são enormes: desde dívidas no cartão até empréstimos consignados. Alguns chegam a vender pertences para continuar apostando.
Psicólogos alertam que o vício começa como diversão, mas vira compulsão. Sem ajuda, muitos jovens acabam abandonando não só os estudos, mas também empregos.
Dados da pesquisa e metodologia
A pesquisa foi realizada entre março e junho de 2023, com 2.540 jovens de 18 a 24 anos em todas as regiões do Brasil. O método usado foi entrevista online com questionário detalhado.
Os participantes foram selecionados por amostragem estratificada, garantindo representatividade por classe social e região. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
As perguntas abordaram hábitos de apostas, gastos mensais e impacto nos planos educacionais. 64% dos entrevistados disseram conhecer alguém que adiou a faculdade por causa de jogos.
Universitários e especialistas em estatística validaram a metodologia. Os dados completos estão disponíveis para consulta pública.
O que os dados revelam sobre apostas e educação
Os números mostram uma realidade preocupante: muitos jovens estão trocando os estudos por apostas online, especialmente nas classes mais baixas.
O problema é maior onde faltam informações e oportunidades. Mas não precisa ser assim. Conscientização e apoio podem mudar esse cenário.
Universidades e governos já começam a agir, criando programas de orientação. Famílias e escolas também têm papel importante nessa mudança.
O futuro dos jovens vale mais que qualquer aposta. Com as medidas certas, é possível reverter essa situação.
Fonte: Oglobo.globo.com