Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referentes ao ciclo de 2025 e divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), jogam luz sobre os contrastes e as tendências de longo prazo da educação brasileira. Embora o desempenho dos estudantes do país permaneça em patamares inferiores à média das nações desenvolvidas, uma análise histórica estendida revela um movimento consistente de aproximação nas últimas duas décadas.
Criado no ano 2000 pela OCDE, o Pisa se consolidou como o principal termômetro educacional do planeta. A avaliação é aplicada a cada três anos — com ajustes recentes no calendário em decorrência da pandemia de Covid-19 — e mede as competências de jovens de 15 anos, idade em que grande parte dos estudantes se aproxima do término da escolaridade obrigatória. O foco recai sobre a capacidade de aplicar conhecimentos e pensar criticamente em áreas vitais como Leitura, Matemática e Ciências, indo muito além da simples memorização de conteúdos formais.
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ToggleA trajetória de aproximação histórica
Quando se observa o desempenho brasileiro em uma perspectiva longitudinal, compreendida entre 2006 e 2025, os dados indicam que o país figura entre aqueles que registraram avanços expressivos de proficiência proporcional. A distância que separava a pontuação média do Brasil da média dos países membros da OCDE diminuiu significativamente nas três disciplinas avaliadas.
Em Leitura, a diferença de desempenho caiu de 102 para 58 pontos, o que representa uma redução expressiva de 44 pontos no intervalo. Em Matemática, o desnível histórico diminuiu de 131 para 92 pontos (queda de 39 pontos). Já em Ciências, a distância encolheu de 113 para 77 pontos, uma retração de 36 pontos.

No ciclo de 2025, que deu ênfase especial ao letramento em Ciências, o Brasil registrou 377 pontos em Matemática, 408 em Leitura e 409 em Ciências. Na comparação imediata com o ciclo anterior de 2022, as variações mantiveram-se estatisticamente estáveis, com um leve incremento na área científica — que passou de 403 para 409 pontos —, evidenciando uma recuperação e estabilização após as turbulências globais impostas pela crise sanitária mundial.
Desafios estruturais e o letramento digital
Apesar do encolhimento da brecha histórica em relação aos países ricos, o patamar absoluto em que o Brasil se encontra acende alertas educacionais e geopolíticos relevantes. O país ainda se posiciona abaixo da média da OCDE e enfrenta o desafio de superar assimetrias regionais, socioeconômicas e entre redes de ensino.
Um dos reflexos dessa realidade é a proporção de alunos que se encontram abaixo do nível básico de proficiência, o que demanda políticas públicas contínuas de reforço pedagógico e valorização docente. Ademais, o Pisa 2025 incorporou inovações metodológicas cruciais ao avaliar domínios inéditos, como a “Aprendizagem no Mundo Digital”, medindo a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais. Nesse quesito digital, o Brasil marcou 406 pontos, ficando abaixo da média internacional de referência, o que ilustra a urgência de expandir a infraestrutura tecnológica e a alfabetização digital nas escolas públicas.
O fator comportamental e a gestão do ambiente escolar
Os questionários contextuais aplicados em conjunto com as provas trouxeram recortes fundamentais sobre o cotidiano escolar e a percepção dos discentes. Um dos pontos de maior destaque na edição recente foi o impacto regulatório sobre o uso de dispositivos eletrônicos. Em 2025, cerca de 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam instituições que adotavam algum tipo de restrição ao uso de celulares em sala de aula — um salto abrupto frente aos 37% registrados em 2022 e bem acima da média da OCDE, fixada em 49%. Esse movimento reflete tanto diretrizes institucionais quanto o desdobramento de marcos normativos, a exemplo da Lei nº 15.100/2025, que passou a regular o manejo desses aparelhos na educação básica do país.
Paralelamente, o engajamento cívico e ambiental dos jovens brasileiros sobressaiu positivamente: 84% dos participantes afirmaram acreditar no poder de suas ações individuais para gerar impactos positivos no meio ambiente, enquanto 87% depositaram confiança na força da ação coletiva. Outro dado encorajador é a queda na desvalorização da instituição escolar; a parcela de alunos que enxerga a escola como perda de tempo recuou para 16%, índice inferior à média observada na OCDE.
A trajetória mapeada pelo Pisa demonstra que, embora o caminho rumo à excelência educacional global seja longo e dependa de investimentos estruturais perenes, a redução gradual da distância em relação aos países desenvolvidos atesta a resiliência do sistema de ensino nacional e a urgência de consolidar reformas que sustentem o avanço qualitativo da aprendizagem no Brasil.
Para aprofundar-se nos dados estatísticos completos e nas tabelas comparativas por disciplina, consulte a publicação original na Agência Brasil.





