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12 abr

Crise de 1929 - [Resenha]

História da América Por: Jason Jr. Comentários

OUÇA AGORA nosso Podcast sobre a Crise de 29 e o Episódio Extra AQUI.

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Após o fim da guerra de secessão no século XIX os Estados Unidos passaram por um processo de reconstrução, com o avanço do processo industrial da Segunda Revolução o país ficou isolado do Comércio e da industrialização global até 1917.

A partir na Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos tornaram-se uma potência econômica e com pouca participação no mercado global, porém devido as consequências da I Guerra e as atenções dos europeus para o conflito os EUA vão ganhando mercado e se colocando em pleno desenvolvimento industrial, necessitando de um aumento da produtividade industrial e agrícola para exportar quantidades cada vez maiores para os países em guerra e também aumentar sua fatia de mercado em países pouco desenvolvidos.

É neste cenário que os Estados Unidos se tornam o responsável por ser o produtor industrial do mundo com grandes investimentos, mão de obra e matéria-prima, porém construiu dependência dos países europeus e os não industrializados para sua economia, se fortalecendo cada vez mais e se colocando como centro do Comércio Global.

Aqui já é possível observar os Estados Unidos como maior consumidor, maior investidor e o maior produtor Industrial do Globo.

Os anos 20 foram de prosperidade com investimentos e muitas riquezas econômicas na reconstrução europeia, não pós guerra os estadunidenses se tornaram cada vez mais produtivos e ricos e criaram os chamados Loucos Anos 20 que se tornaram um dos cenários mais interessantes para compreendermos as causas do que foi o Crash de Wall Street.

Loucos Anos 20

Nesse período vamos ver um aumento das riquezas concentradas nos banqueiros e os baixos salários nas fábricas, mas ao mesmo tempo a população investindo todas as suas riquezas na especulação financeira que ocorria na bolsa de valores de Nova York.

Também é neste momento que nós vemos surgir um avanço dos direitos à liberdade feminina como o voto Universal, as roupas, as danças, as músicas e as bebidas faziam desses anos 20 nos Estados Unidos um período de apogeu e aparentemente de ascensão constante e sem fim, criando a ilusão dia que os Estados Unidos eram a maior potência econômica do mundo e que este acelerado crescimento produtivo e econômico jamais pararia e eles poderiam viver em festa e comemorar as liberdades para as classes operárias e para as mulheres provando que o Capitalismo Liberal era de fato um sucesso.

Um dos termos mais importantes que surge nesse período é o American way of life, onde as pessoas viviam felizes em famílias compostas de pai, mãe, um casal de filhos (no mínimo) com um carro do ano e casa própria, geralmente representado por uma família branca e acompanhado de um animal de estimação (quase sempre um cachorro de raça americana) e em todos os casos essa família era Cristã (católica ou protestante), reforçando preconceitos que já estavam embutidos na forma de vida americana.

Na virada do os anos 10 para os anos 20 houve uma ascensão também da cinematografia, muito foi pensado sobre o futuro industrial e rico da sociedade americana e é neste período que nós vamos ver o surgimento de figuras muito importantes para cultura deste período como Fred Astaire, Frank Sinatra e outros artistas importantes que representavam a riqueza dos Estados Unidos e o modo de vida americano.

Porém é também neste período que vamos ver surgir algo conhecido como Lei Seca (Prohibition) e com ela outras figuras famosas também surgiram, como Al Capone que comandou a cidade de Chicago em conjunto com a ascensão da Cosa Nostra na cidade de Nova York, e juntos comandavam o crime organizado com extorsões, assassinatos, sequestros e tráfico de armas e bebidas alcoólicas.

Esse é do cenário que atual superpotência Americana se encontrava no momento pré-crise, e problemas começam a surgir logo no primeiro momento de 1929 quando aparentemente o mercado de ações parecia ainda ter altas aceleradas, devido aos surtos especulativos, porém tudo começa a mudar quando inicia o verão.

Os Estados Unidos eram responsáveis por 42% de todas as mercadorias feitas no mundo e compravam 40% da matéria-prima disponível no mercado mundial. Entre 1923 e 1929 a taxa do desemprego era de apenas 4% e número de indústrias instaladas havia aumentado cerca de 10%, a produção de automóveis aumentou 33% e por fim o faturamento do comércio se multiplicou por 5.

Um dos responsáveis por essa alta produção foi Henry Ford, o homem responsável por desenvolver o modo de produção capitalista do fordismo.

Este modo de produção pregava alta produtividade com produção em larga escala e a utilização de grandes estoques em ritmo de trabalho constante estabelecido pela máquina e com a realização de uma tarefa única pelo trabalhador, além de haver uma divisão espacial do trabalho. Pela lógica, não havia preocupação com a demanda de mercado.

Nas bases do liberalismo entende-se que não precisava se preocupar com a demando, afinal o mercado passaria por uma auto regulagem e que o lucro ou prejuízo que se esperava das vendas do mercado eram atendidas ao longo do tempo, mantendo a alta lucratividade das empresas que seguiram este modo de produção.

Os empréstimos feitos para as corretoras da Bolsa de Valores chegavam há 400 milhões de dólares por mês no princípio do verão de 1920, contudo na entrada do Outono esses valores atingiram sete bilhões de dólares, e mais de um milhão de pessoas foram iludidas a participarem do Mercado de Ações.

Ainda sim tudo se manteve estável até o dia 19 de outubro, quando o secretário de comércio de Hoover despachou um documento em que declarava falta de dinheiro público para manutenção do iate do Presidente da República, com isso as especulações financeiras mostravam que o país estava com escassez monetária.

De forma alarmante os jornais no dia 20 e 21 de outubro já anunciavam a quebra da bolsa com um alto volume de vendas (um dos três maiores da história), essa histeria levantou muitas dúvidas sobre os investimentos no país e por isso na famosa quinta-feira negra do dia 24 de Outubro, em meio a um caos e desordem, a bolsa abriu e ainda assim se manteve firme, porém por volta das 11 horas da manhã o mercado se transformou em uma arena selvagem em meio à confusão e o medo 13 milhões de ações foram vendidos, e quase todas com preços muito reduzidos.

Wall Street

Em apenas meia hora do lado de fora da bolsa, em Wall Street, uma multidão foi se organizando em meio a protestos e confusões. Os representantes da Bolsa de Nova York imploravam por um destacamento especial da polícia que só chegou local meia hora depois.

Alguns dos maiores banqueiros dos Estados Unidos tentaram se organizar em uma reunião caótica em busca de uma solução para o problema e injetaram dinheiro dentro da bolsa para garantir que os maiores bancos do país jamais permitiriam o colapso financeiro dos Estados Unidos da América.

O próprio presidente havia dito que as ações de mercado iam muito bem e que o processo do liberalismo econômico colocaria as ações e economia dos Estados Unidos de volta aos eixos, até mesmo algumas igrejas se envolveram dia 27 e começaram a pregar sobre uma intervenção divina nos negócios feitos em Wall Street, envolvendo a grande crise de 29.

Porém os problemas só pioraram e os banqueiros e o presidente estavam errados e isto se provou quando chegou o momento da catástrofe do dia 29 de outubro. Nesta terça-feira nós temos o marco do dia mais devastador da bolsa de valores de Nova York com 33 milhões de ações postas à venda e é justamente neste dia que teremos uma série de suicídios por causa do imenso desespero da população.

Povo no Sopão e o American Way of Life

Os ricos estavam desesperados por perder em milhões de dólares, mas não eram todos os seus revestimentos, já os pequenos investidores e operários haviam perdido tudo, as suas economias da vida inteira e de toda sua jornada de trabalho de 14 horas por dia foram jogados por água abaixo.

Mas o presidente Hoover, sendo um liberal, não via a necessidade de uma intervenção econômica pelo estado e entendia que os negócios fundamentais do país eram sólidos e prósperos. Quem vai se aproveitar deste momento são exatamente aqueles ligados aos crimes de contravenção e vão utilizar de ferramentas como empréstimos, extorsão e a utilização dos famosos sopões solidários em busca de uma harmonia social e uma conquista carismática de uma população fragilizada e carente.

As consequências sociais foram muito drásticas e o Central Park se tornou uma enorme favela que recebia o nome do próprio Presidente (Hoovervilles), isso não acontecia somente Nova York, em todo o território estadunidense era possível encontrar pessoas desoladas que buscavam desesperadamente o motivo ainda para viver e era um cenário de caos completo, muitos perderam suas casas e passaram a morar nas ruas e se tornaram dependentes ou da máfia ou da Cruz Vermelha.

Hoovervilles (favelas)

O período mais crítico, segundo vários historiadores, aconteceu entre 1929 e 1933, quando o PIB dos Estados Unidos caiu aproximadamente 50%, o desemprego subiu para uma taxa de 27%, as importações caíram 70%, as exportações caíram 50%, o valor dos empréstimos internacionais teve queda de 90% e a produção caiu 1/3. Os automóveis tiveram maior queda e a sua produção foi reduzida em 50% e os baixos salários sofreram mais uma queda, desta vez 50% e diversas microempresas e bancos sofreram o processo de falência.

O desemprego e a crise também atingiram os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos na Europa e na própria América, como exemplo o desemprego na Grã-Bretanha aumentou 23% e na Alemanha 44%.

O Brasil, país responsável por cerca de 70% do Comércio mundial do café, sofreu uma crise econômica que levou ao golpe de Getúlio Vargas em 1930 e ao fim da República do Café com Leite, pois os Estados Unidos compravam 80% da nossa safra de exportação da cafeicultura, vale lembrar que devido à crise de 29 o preço internacional do café caiu 90%

Em meio a esse caos o centro-oeste dos Estados Unidos ainda passariam por uma tempestade de areia e seca extrema, que vai devastar inúmeras casas e plantações, afetando ainda mais a economia e a fome no país, destruindo fazendas e pequenas cidades esse fenômeno ficou conhecido como Dust Bowl e piorou ainda mais o pânico americano.

Mas ainda nos anos 30 duas figuras surgem para reformular a economia Americana e entender o caos, a partir de críticas ao liberalismo econômico e criando ideias e mecanismos que pudessem levar os Estados Unidos da América de volta a situação econômica exuberante dos loucos anos 20. O primeiro personagem da história é o presidente eleito em 1932 Franklin Delano Roosevelt que vai desenvolver a partir das ideias de John Mayer Keynes, as ideias do New Deal para um novo acordo econômico.

Para o novo presidente deveria haver um controle na emissão de moedas assim como um investimento no setor básico da economia, o aumento salarial e criação de políticas de emprego, para que houvesse um avanço na infraestrutura pública e para gerar mais empregos e capacitação de mão de obra.

As ideias de Roosevelt são originadas a partir do que nós vamos chamar de Keynesianismo, afinal o economista inglês entendia que a crise de 29 era resultado de uma superprodução, falha ocasionada pelo modo de produção fordista, e para ele deveria haver redução de impostos para os pobres emais investimento do governo para suprir a falta de distribuição de renda nos Estados Unidos, sendo assim o próprio estado deveria gerar mais demanda e mais emprego.

Na prática o que vamos ver é que os Estados Unidos de 1933 até 1937 vai ter um crescimento muito lento da sua economia e passa a se tornar novamente uma potência industrial e econômica somente com o princípio da Segunda Guerra Mundial na Europa, com apoio financeiro e desenvolvimento da Indústria bélica. A ascensão dos ideias fascistas na Itália e Alemanha, com o avanço econômico e industrial destes países, além do fortalecimento do comunismo Soviético também vão ocorrer neste período como consequências da Crise imposta pelo mercado financeiro de Nova York.

É óbvio que com a participação intensa dos Estados unidos nessa guerra nós vamos encontrar o desenvolvimento tecnológico Industrial muito mais avançado do que visto na primeira guerra e a partir de 1941 os Estados Unidos se tornam uma superpotência global, mas não a única como o fim da guerra nos mostra.

Porém os assuntos referentes a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria serão tema de outros Podcasts daqui do História Estúdio e também serão temas de Mapas Mentais e Resenhas produzidas para vocês.

Espero que vocês tenham gostado no Episódio 7 do nosso Podcast e também o Episódio Extra, com assuntos referentes as consequências da crise de 29. Bem como esperamos que vocês tenham gostado desse texto feito com muita dedicação e carinho para que possam estudar tanto para história quanto para geografia.

CONJUNTO DE QUESTÕES:

1. Foi um plano de recuperação econômica implantado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, com base nas ideais de John Maynard Keynes:

a) New Deal

b) Tratado de Versalhes

c) Liga das Nações

d) Welfare State

e)Plano de Metas

2. (Fatec-SP) Entre os fatores que ocasionaram a Crise de 1929 nos EUA, destaca(m)-se:

a) o protecionismo rígido, a escassez de crédito bancário e a superprodução.

b) a saturação do mercado, a crise na agricultura e o crash da Bolsa de Valores de Nova York.

c) a superprodução, a saturação do mercado e a expansão desmedida do crédito bancário.

d) a adoção de programas de construção de obras financiadas pelo Estado para diminuir o desemprego.

e) a excessiva oferta de terras e o protecionismo rígido.

3. (UFRS) NÃO pode ser considerado(a) consequência da crise econômica de 1929:

a) a retração do comércio internacional e da produção industrial, bem como a queda do preço das matérias-primas.

b) o crescimento do desemprego na Alemanha, país cuja economia era baseada na exportação de produtos industrializados.

c) o crescimento econômico da União Soviética baseado na Nova Política Econômica (NEP).

d) a eleição de Franklin Delano Roosevelt para a presidência dos Estados Unidos, com um programa de recuperação econômica.

e) o crescimento eleitoral do Partido Nazista na Alemanha.

 

GABARITO: 1.a; 2.c; 3.c;

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